COMUNICADO DE IMPRENSA

 

 

Chefe de Estado anuncia calendário das Eleições Presidenciais 2012

 

 

Díli, 13 Jan (CPR) – O Chefe de Estado timorense, Dr. José Ramos-Horta, anunciou hoje o calendário das Eleições Presidenciais 2012 numa cerimónia realizada no Palácio Nicolau Lobato a que assistiram os representantes dos Órgãos de Soberania, dos partidos políticos, corpo diplomático, ONU e sociedade civil.

O texto, na íntegra, da intervenção do Presidente da República, é o seguinte:

 

Senhores e senhoras,

 

Espero que tenham tido um período de férias agradável e sereno junto dos vossos familiares e amigos, e que se sintam revitalizados perante desafios importantes em 2012.

Este ano, que está apenas no início, está repleto de acontecimentos históricos e distingue-se pela comemoração de vários eventos, – duas eleições democráticas, o 10.º aniversário da Restauração da Independência, os 100 anos da Revolta de Manufahi liderada por Dom Boaventura e o 5.º centenário da chegada dos primeiros aventureiros portugueses às nossas costas. 

Agradeço-vos por terem aceitado o meu convite e por participarem nesta cerimónia muito especial, durante a qual será anunciado formalmente o calendário eleitoral presidencial.

As disposições constitucionais que balizam eleições democráticas concedem ao Presidente a prerrogativa de definir a data das eleições para a Presidência e o Parlamento Nacional.

Conforme estipulado pelas respectivas disposições da "Mãe de Todas as Leis" (Lei Inan), realizei consultas intensas com todas as partes interessadas, o Poder Executivo, Grupos Parlamentares, Líderes de Partidos Políticos e as nossas duas agências responsáveis pela gestão das eleições, nomeadamente a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE).

 

Tendo concluído todas as consultas necessárias, posso hoje anunciar que a primeira ronda de eleições presidenciais 2012 terá lugar a 17 de Março.

Se for necessária uma segunda ronda, a mesma será realizada na terceira semana de Abril de 2012.

 

Recebi do nosso Parlamento Nacional e promulguei imediatamente a emenda à legislação para as eleições Presidenciais e Legislativas 2012 relativa ao direito de voto dos nossos cidadãos expatriados. Nos termos desta emenda, eles poderão exercer o seu dever cívico só após 2012.

É uma decisão acertada. Ainda não possuímos os necessários meios par levar por diante um processo tão complexo, delicado e oneroso, a realizar em simultâneo em vários países.

Acredito vivamente que a CNE e o STAE, que perante os reptos extremos em 2007 desempenharam o seu papel de uma forma muito transparente e profissional, levarão a cabo a sua missão, imposta por lei de um modo ainda mais eficiente em 2012.

Agradeço aos nossos amigos da comunidade internacional, à UNMIT e ao PNUD, à Comissão Europeia, aos nossos amigos e parceiros bilaterais de grande generosidade, pelo seu apoio às nossas instituições democráticas e ao exercício democrático deste ano.

Em 2007, tivemos um apoio extremamente valioso por parte do pessoal de segurança e logística da UNMIT, nomeadamente da UNPOL e das Unidades Formadas de Polícia. Beneficiámos também em grande escala do apoio generoso e competente das ISF.

O facto de, em 2012, ainda contarmos com todos eles para este exercício soberano deveria servir de lembrete, num tom humilhante, de que, passados 10 anos, continuamos a não conseguir caminhar pelos nossos próprios meios. Assim, temos todos de redobrar os esforços no sentido de nos tornarmos verdadeiramente soberanos e independentes.

A nossa Polícia Nacional, liderada com zelo e competência pelo Comandante-Geral, o Comissário Dr. Longuinhos Monteiro, e pelo Comissário Afonso de Jesus, em parceria fraternal com a UNPOL, irá demonstrar, mais uma vez, que o nosso povo confia, correctamente, na instituição policial.

Tenho a certeza de que a PNTL, com o apoio da UNPOL, irá cumprir as suas responsabilidades com profissionalismo e integridade.

Enquanto as F-FDTL, conforme claramente estipulado na nossa Constituição e respectivas leis, não estão autorizadas a envolver-se em matéria de ordem pública, acredito que, se necessário, as nossas forças de defesa, com o apoio das ISF, poderão dar resposta às questões adicionais de segurança estática e de logística, nomeadamente nas áreas remotas do nosso país.

Continuaremos a receber observadores internacionais, à semelhança de anos anteriores. São todos bem-vindos, de qualquer país ou instituição.

Os meios de comunicação internacionais serão também convidados a visitar o nosso país em 2012, cobrir as eleições e/ou outros eventos nacionais.

Gostaria de deixar um apelo especial ao nosso muito generoso Primeiro-Ministro. Tal como eu, Maun Boot Xanana foi jornalista e fotógrafo bem sucedido. Por isso, sei que existe um lugar especial no seu coração para os nossos meios de comunicação social.

Perante as dificuldades financeiras dos nossos jovens meios de comunicação social, espero que o nosso Governo e/ou amáveis doadores lhes forneçam algum tipo de assistência para que possam cobrir de forma mais abrangente as celebrações históricas e eleições.

Esta assistência poderá abranger desde subsídios directos a equipamentos, tais como computadores portáteis, câmaras digitais, gravadores, motorizadas, pick-ups de tracção às 4 rodas, etc.  

 

Senhores e senhoras,

 

Reunimo-nos hoje aqui, em tempos mais favoráveis! Foi apenas há cinco anos que o nosso povo sofrido foi abalado por uma crise política e de segurança que surgiu inicialmente entre as nossas forças armadas e se alastrou pela Polícia e pelos nossos bairros.

Hoje, a nossa cidade está cheia de vida, o nosso povo goza os frutos da liberdade, vivendo em paz e segurança.

A economia continua a registar sinais visíveis de crescimento e o nível de vida do nosso povo apresenta melhorias evidentes. No entanto, devemos reconhecer, com tristeza e honestidade, que as melhorias nas vidas dos desgraçados deste mundo avançam de forma demasiado lenta.

Devemos renovar o nosso compromisso para libertar o povo das garras da pobreza perene.

Devemos redobrar os esforços para acelerar as políticas e a implementação de iniciativas que apoiem os mais desfavorecidos e vulneráveis da nossa sociedade.

Um ano passa rápido. Por isso, não percamos tempo. Agarremo-nos a este momento de desafio e oportunidade para fazermos progredir a nossa jovem democracia e instituições estatais, consolidarmos a paz, a segurança e a unidade nacional.

Não poderia dizer que todos os olhos estão virados para Timor-Leste em 2012. Seria demasiado presunçoso dizê-lo, uma vez que existem muitos outros grandes países e desafios no mundo, que requerem a atenção e assistência internacionais.

Mas podemos antecipar que os olhos dos nossos amigos e parceiros da ASEAN estarão voltados para nós. Outros na região asiática e amigos de todo o mundo seguirão certamente os eventos. Fazem-no sempre, pois preocupam-se com o bem-estar do nosso povo.

Para o bem do nosso povo e dos nossos interesses nacionais, em honra daqueles que deram a vida para que pudéssemos viver em paz e liberdade, comprometamo-nos de novo a participar activamente nas eleições democráticas e a contribuir para a sua correcção, transparência e serenidade, para que sejam motivo de orgulho.

Que Deus Todo-Poderoso e Misericordioso nos continue a abençoar, como sempre o fez desde tempos imemoriais.

  

www.presidencia.tl

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

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