Discurso

 

DEZ-11.D16 PR-Discurso no juramento de bandeira dos novos recrutas das F-FDTL

 

   

  

 

 

 

 

 

DISCURSO DE

S.E. DR. JOSÉ RAMOS-HORTA

 

 

 

 

PRESIDENTE DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE

PRÉMIO NOBEL DA PAZ (1996)

 

 

 

NA CERIMÓNIA DO JURAMENTO DE BANDEIRA

DOS NOVOS EFECTIVOS DAS FALINTIL-FDTL

 

  

Metinaro, 16 de Dezembro de 2011


 

Excelências. Senhoras e senhores convidados.

Militares das F-FDTL

A todos a minha saudação. É com satisfação que presido a esta cerimónia e dirijo, a todos os homens e mulheres que vão jurar bandeira, os meus votos de boas vindas à instituição militar.

Jurar bandeira é assumir uma nova responsabilidade, perante a Nação. A responsabilidade de servir o povo.

As F-FDTL estão a realizar um processo de transformação, a preparar uma força militar moderna e profissional para responder a novas missões de que a Nação precisa, nesta fase da nossa história.

A Nação está a investir recursos importantes no desenvolvimento das F-FDTL, na formação de novas competências dos militares, na aquisição de novos equipamentos e em melhores condições de vida.

O plano 20/20 de transformação das Falintil-FDTL está a ser implementado, com planos de desenvolvimento sector a sector, que revelam capacidade e competência, e beneficiam da experiência das chefias militares.

Mas a transformação das F-FDTL revela a determinação e firmeza das instituições civis do Estado. As F-FDTL são um projecto de toda a Nação e o desenvolvimento das forças reúne consenso na sociedade. Tem havido estabilidade nos planos de modernização das forças, implementados sob a liderança de diferentes governos, desde a restauração da Independência.

Os militares das F-FDTL assumem a responsabilidade de cumprir com humildade, rigor e espírito de sacrifício os seus deveres e missões, segundo os objectivos traçados pela Nação.

O espírito de sacrifício e a dedicação ao povo, são grandes exemplos da história da libertação e da história das Falintil que têm de inspirar todos vós e ser praticados nas F-FDTL, hoje e no futuro. Os militares são instrumento do povo para realizar os objectivos da Nação.

O nosso país trabalha permanentemente para consolidar a paz na nossa região, para aprofundar a amizade com os nossos vizinhos e consolidar a estabilidade.

As F-FDTL são um instrumento da Nação para ajudar a atingir estes objectivos. O desenvolvimento das forças faz parte dos nossos objectivos nacionais de desenvolvimento. As F-FDTL:

-          Estão a adquirir capacidades especializadas, como a engenharia militar, que vão contribuir para os objectivos civis de desenvolvimento interno;

-          Os militares estão a contribuir para a integração do nosso país na comunidade internacional e regional, através de relações de cooperação militar e participação em exercícios militares periódicos com militares de outras nações. É o caso dos exercícios Crocodile, com militares dos Estados Unidos e da Austrália, e dos exercícios Felino, com militares da CPLP. Olho com expectativa e entusiasmo para o dia em que um exercício de campo “Felino” se realize no nosso território nacional. Temos condições para acolher exercícios Felino, em breve, num dos próximos anos.

-          A participação da engenharia militar das F-FDTL na força das Nações Unidas no Líbano, integrada num contingente Português, vai ocorrer em breve. Será mais um exemplo da contribuição das F-FDTL para a integração harmoniosa de Timor-Leste na comunidade internacional. É também uma maneira de retribuir um pouco da ajuda e da amizade que Timor-Leste recebe das Nações Unidas e da comunidade internacional.

Esta participação das F-FDTL nasceu de uma sugestão que fiz ao Chefe do Estado Maior do Exército português e teve resposta positiva imediata, revelando a excelente relação entre os nossos dois países e entre as F-FDTL e as forças armadas de Portugal, relação que sublinhei em 28 de Novembro, quando atribuí a Ordem de Timor-Leste ao Exército Português e ao senhor General Pinto Ramalho, seu Chefe de Estado Maior. Quero destacar também os militares portugueses que entre nós acompanharam a preparação dos quase 600 homens e mulheres que vão jurar bandeira e os militares da Armada Portuguesa que assistem no desenvolvimento da componente naval das F-FDTL. Portugal é um parceiro valioso do nosso desenvolvimento, além de ser um país de irmãos e amigos.

A cooperação militar bilateral de Timor-Leste beneficia do apoio de duas dezenas de parceiros, reflectindo laços de boa vizinhança e a bem sucedida integração regional e internacional do nosso país. A todos estes países amigos manifesto reconhecimento.

A participação das F-FDTL na UNIFIL, integrada no contingente português, é um precedente que pode ser repetido com outros parceiros de Timor-Leste que participem em forças de manutenção de Paz, sob a bandeira das Nações Unidas, noutras regiões do Mundo.

Para todas as missões, internas ou externas, as forças precisam de mulheres e homens com capacidade técnica, profissionalismo e honestidade. O treino e a formação especializada dos militares são vitais.

O vosso juramento de bandeira, após um processo de recrutamento e formação de nível profissional, prova também a capacidade das F-FDTL para implementar os seus planos de desenvolvimento e dar resposta positiva à expectativa da Nação. Dou, por isso, os parabéns ao senhor Chefe do Estado-Maior General das F-FDTL, General Lere Anan Timur e aos militares do Estado Maior.

 

Oficiais, sargentos e praças. Militares em parada

A Nação espera muito de vós. Na vossa vida, dentro da instituição militar, no cumprimento das vossas missões, apelo para que se inspirem no exemplo de dedicação, humildade e sacrifício que nos deu, Nicolau Lobato, que iniciou as Falintil, e o sucessor, Xanana Gusmão, que trouxe as Falintil e o povo à vitória.

A vitória de Timor-Leste foi um trabalho humilde de firmeza e sacrifício. Só foi possível com combatentes dedicados e com a unidade entre combatentes e povo – na montanha, nas aldeias e nas cidades.

O sacrifício e humildade dos combatentes fizeram nascer uma relação de confiança e respeito entre o povo e os militares. Muitos combatentes heróicos estão vivos porque tiveram ajuda e protecção do povo.

Nesta fase da nossa vida como Nação, as F-FDTL têm a responsabilidade de continuarem a nutrir esta relação de confiança e a ter perante o povo a humildade que os líderes históricos ensinaram.

Disciplina, profissionalismo, dedicação e humildade são o segredo da unidade – e o segredo da vitória no trabalho de construção da Nação.

Cerimónias como esta vão ter continuidade. As forças continuam a desenvolver-se e o recrutamento e formação vão continuar, para se cumprirem os objectivos estabelecidos pelo Estado.

A todos desejo uma carreira militar com êxito, ao serviço da Nação e seguindo a tradição das Falintil.

 

 

 

 

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